Jardim de inverno
Sem Spoiler
Até que enfim, lido!
Quem estava em dúvida sobre a possibilidade de
leitura dessa obra já pode se deixar levar e mergulhar fundo nessa história,
maravilhosamente, escrita por Kristin Hannah.
Quando vi esse livro na estante da livraria, meus
olhos brilharam com a beleza que é sua capa. Sim, a princípio eu me atraí por
seu exterior e quem nunca fez isso? Quem nunca comprou livro pela capa,
principalmente sendo de um autor que ainda não conhece?
Olhei o preço e o livro ainda estava caro; era na
ocasião do seu lançamento e como eu estava lendo outras obras, esperei até que
o livro entrasse em promoção. Um dia, no meu aniversário, eis que eu fui
presenteada com essa belezura. Era época de aulas na faculdade então tive que
adiar a leitura mais uma vez, pois eu precisava ler os vários textos das aulas.
Debrucei sobre a linda história de
Meredith e Nina. A princípio, achei que a história fosse se desenvolver em
torno das questões do envelhecimento inevitável, sobretudo o envelhecimento da
mulher.
Atualmente,
em nossa sociedade, as pessoas vivem dominadas ou aprisionadas numa ditadura da
beleza eterna e envelhecer passou a parecer um crime hediondo. Hannah,
talentosamente, transfere essa preocupação com a aproximação da melhor idade
para a personagem Meredith, que é uma mulher de 40 anos, casada, mãe de duas
filhas com idade de 18 e 19, e muito preocupada a família e com o bom
funcionamento dos negócios do pai, o senhor Evans.
Contrastando
com a personagem Meredith está a personagem Nina de 37 anos, fotojornalista,
solteira e que vive viajando o mundo sem eira nem beira, como diria a irmã
Mere. O contraste das duas personagens, Meredith e Nina, também se reflete
no local em que a história individual de cada uma delas acontece.
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| Fonte da imagem |
Meredith está sempre perto dos pais
idosos em um lugar tranquilo, limpo e onde sempre neva.
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| Fonte da imagem |
Nina passa a maior parte do seu tempo registrando, com sua
máquina, as terríveis histórias de um povo esquecido no território africano,
lugar em que a higiene é pouca e o calor é insuportável. Suas melhores fotos
são as que retratam o pior sofrimento das pessoas.
A relação das irmãs com sua mãe, Anya,
não é das melhores, principalmente no caso de Meredith que está sempre por
perto e participando de todos os acontecimentos da família. Com a morte
do Senhor Evans as duas irmãs tiveram que tomar decisões, inclusive atender ao
último pedido do pai com relação à convivência delas com a própria mãe e, para
isso, elas deveriam convencer a mãe a contar uma história de conto de fadas
todos os dias.
A partir
desse momento, o leitor começa a querer saber o desfecho da história, porém,
com o seu desenrolar, isso vai acontecendo de forma mais amadurecida, digamos
assim, e não apenas com aquela ideia anterior, que era mais voltada para uma
simples história de família.
A autora de
Jardim de Inverno aborda, lindamente, um acontecimento histórico que, na sua
essência, não é nada lindo. Dentro de uma obra aparentemente suave, Hannah nos
presenteia com uma história dura com um final surpreendente.
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HANNAH, Kristin. Jardim de
inverno. 1.ed. Tradução de Sylvio Deutsch. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito,
2013. 415p.
Foto da capa do livro: Flávia Andrade





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