EU SOU O MENSAGEIRO
Com Spoiler
Ed Kennedy é um jovem taxista de 19
anos. Não tem mais o pai e mora sozinho com seu cão de nome Porteiro, pois não
se dá muito bem com sua mãe. Ed não tem muita sorte e nem muito jeito para
casos amorosos; ele se acha um zero à esquerda para esse tipo de relação. Seus
melhores amigos são o Marvin (ou Marv), o pão duro, Audrey (sua paixão
platônica) e Ritchie, que é um cara neutro no seu grupo. Nas horas de folga os
amigos curtem jogar cartas. Em um belo dia, Ed, Audrey e Ritchie foram ao banco
para acompanhar Marvin, que iria fazer o depósito do seu salário. Enquanto eles
estão na agência, eis que entra um ladrão e Ed, de maneira inusitada, evita que
o bandido consiga terminar o assalto. A partir desse dia, Ed se tornou o herói
e assim ele começou a receber mensagens estranhas; eram estranhas, inclusive,
por serem escritas em cartas de baralho.
Rua
Edgar, 45, meia noite - nesse endereço, Ed teve a missão
de ajudar uma mulher que era abusada pelo próprio marido.
Avenida
Harrison, 13, 18:00 - nesse endereço, Ed fez companhia para
uma senhora solitária.
Rua
Macedoni, 6, 5:30 da manhã - nesse endereço, Ed incentivou
uma jovem a não desistir do seu esporte.
A segunda Mensagem vem
escrita no “Ás” de paus e traz a mensagem: “Faça uma oração nas pedras de Casa”
Para realizar essa tarefa, Ed pensou em
várias possibilidades, mas nenhuma delas o levou a lugar algum. Um dia, um
rapaz deu sinal para seu taxi e o direcionou até próximo a uma cachoeira.
Quando chegou ao local, o rapaz não quis pagar a corrida e Ed de tão irritado
começou a subir pelas pedras. Ed teve a sensação de estar em um local
conhecido, um lugar com certo misticismo. Logo ele se vê mergulhado em
pensamentos de sua infância. Naquele lugar, Ed e seu irmão mais novo costumavam
brincar e fazer muitas travessuras.
De repente, ele vê escritas, que indicavam
os nomes, espalhadas nas pedras.
Thomas O’Reilly – um
Padre a quem Ed ajuda atrair fiéis para sua igreja. Antes de encontrar o Pe.,
Ed Kennedy chegou, por engano, a outro O’Reilly; o então irmão de Thomas, o
Padre de uma pequena capela no subúrbio. Os dois irmãos eram completamente
diferentes e distantes, mas Ed consegue promover o encontro e a unir os dois
novamente.
Angie Carusso – uma mulher
batalhadora (trabalha numa farmácia) e mãe de três filhos (dois meninos e uma
menina). Nos dias de pagamento ela leva as crianças para tomar sorvete, porém
ela não pode se dar ao luxo de tomar sorvete também, pois o dinheiro não sobra.
Quando Ed entende a rotina de Angie, ele planeja um encontro no local onde ela
leva as crianças. Assim ele tem a oportunidade de oferecer um sorvete para a
mãe, que, mesmo ganhando pouco, não descuida de agradar aos filhos.
Gavin Rose – É um
adolescente rebelde que tem uma vida muito conturbada em família. De forma
muito engraçada, Ed resolve o problema da desunião da família, mas, nesse caso,
ele leva uma coça devido ao método usado para unir a família Rose.
Descobrir a missão que a carta de
espadas trazia não foi tarefa fácil para Ed. Um dia ele teve um sonho que o
despertou para uma possibilidade de descoberta. Ed decidiu procurar a
biblioteca, pois, durante o sonho, ele se lembrou de um poema que havia lido e
também porque o sonho o fez ligar os nomes escritos na carta a nomes de
escritores. Bingo! Ed consegue pegar 18 livros e levar para casa e lá ele
descobre os endereços que ele precisava visitar.
Primeiro, Ed vai à casa da família
Tatupu. A família é simples, batalhadora e muito unida. É véspera de Natal e
Lua Tatupu (o chefe da família) não tem condições de ornamentar a casa e fazer
a alegria da criançada. Ed espera a família sair e faz todo o trabalho de
ornamentação e proporciona um Natal iluminado para os Tatupus.
Depois, Ed é levado, pela
mensagem, ao restaurante Melusso’s onde sua mãe encontra seu novo namorado. Ed
fica revoltado e, mais tarde, vai à casa da mãe para tirar satisfações. Assim,
eles conseguem ter uma conversa franca e a mãe revela que é rude com ele por medo
de ver o filho tomar os caminhos do pai, que era um beberrão; a mãe acredita
que sendo rude faz com que o filho lute pela própria sobrevivência e se torne
alguém na vida.
Por último, Ed é levado à Rua
Redoma onde tem um antigo cinema caindo aos pedaços. É lá que Ed consegue levar
Audrey para uma sessão e é também onde ele recebe a última carta: o “Ás” de copas, que
traz escrito: “A mala, Dívida de sangue e A princesa e o Plebeu.”
A Mala
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| Fonte da imagem |
Essa mensagem direciona a atenção de Ed para seu amigo Ritchie,
que é um cara tranquilo e que não faz nada da vida. Depois de uma conversa
franca com Ed, Ritchie deixa um pouco a curtição e vai à procura de trabalho.
Dívida de sangue – Essa mensagem parece uma das mais fortes de todas as
outras. Ed descobre que Marv não é um pão duro, mas sim que Marv pretende
juntar dinheiro para sua filha. Marv teve um namoro na adolescência; sua garota
ficou grávida e ele foi proibido de se aproximar de seu grande amor, Suzanne, e
de sua filhinha Melinda. Com a ajuda de Ed, Marv decide enfrentar o pai de
Suzanne. Marv sai todo arrebentado, mas, no fim, ele consegue ter seu primeiro
momento com sua pequena Melinda.
A princesa e o Plebeu – Talvez
essa seja a mensagem mais especial para Ed Kennedy. Depois de passar três
minutos com Audrey, a garota volta à casa dele e decide morar lá. Para Ed,
aqueles três minutos foram suficientes para que ele pudesse mostrar todo o
carinho que sentia pela moça.
Considerações
Eu sou o mensageiro, de Markus
Zusak, tem uma história maravilhosa, embora não aborde nenhum contexto
histórico como é comum de se ver em vários livros. Zusak, brilhantemente,
escolhe personagens que parecem lineares, mas no decurso da narrativa, o leitor
percebe a sensibilidade com que cada um deles é criado. O que acredito ser um
golpe de mestre é o personagem Porteiro. O cão de Ed Kennedy atua como
personagem principal ao lado do seu dono. Porteiro tem suas próprias vontades e
isso o leitor pode perceber na voz do narrador personagem, Ed.
Outro ponto fortíssimo do
autor é a surpresa final. No decorrer da história o leitor espera por apenas
quatro cartas, os quatro ases, e, como um
brinde para quem lê, Zusak revela a “última cartada”: o curinga!
Achei a ideia esplêndida! E mais
esplêndido do que isso é a mensagem desta carta. O endereço que consta na carta
é o endereço do próprio Ed. Com a mensagem do curinga, Ed Kennedy entende o que
está por trás de todas as mensagens. Um dia ele recebe a visita de um rapaz que
esclarece o porquê de todos aqueles acontecimentos. O assassino do seu pai, por
estar arrependido, armou todo o jogo. Até o assalto no banco foi planejado para
que Ed pudesse se tornar herói. Depois de se arrepender, o assassino decidiu
fazer algo de bom para Ed. Ele acreditava que se Ed realizasse todas aquelas
missões, ele se tornaria alguém do bem, se tornaria alguém na vida. Ao realizar
as missões, Ed pode mudar as pessoas, mudar a si próprio e ao próprio assassino
que conseguiu ajudar a moldar o bom caráter de Ed Kennedy.
Ao terminar o livro, Zusak escreve uma
reflexão de Ed Kennedy:
Esse final me parece
reforçar a ideia da transformação que Ed causou em si e nos demais personagens,
pois o mensageiro vem e vai embora, mas a mensagem permanece na pessoa que a
experimentou.
Intrínseca
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| Fonte da imagem |
Mais uma vez a editora se supera. Não tive acesso à versão em
inglês e não sei se a editora estrangeira fez um trabalho parecido, mas, de
qualquer forma, a Intrínseca fez um belo trabalho em Eu sou o mensageiro. A imagem de
Porteiro com aquele olhar piedoso logo no início do livro é de muito bom gosto
e isso dá uma importância maior a esse ilustre personagem. Sem falar dos
capítulos numerados de acordo com as cartas de baralho seguindo sempre o naipe
de cada “Ás”. Que a editora estrangeira me perdoe se eu estiver dando crédito à
Intrínseca, mas como é comum esta editora executar trabalhos maravilhosos, meus
parabéns à editora e ao autor por me proporcionar essa distração!
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ZUSAK, Markus. Eu sou o mensageiro.
1.ed. Tradução de Antônio E. de Moura Filho. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017.
318p.
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- Foto da capa do livro: Flávia Andrade











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